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Pilar · O método

A fronteira do conhecimento

Onde começa uma invenção, e por que conosco o esforço nunca se desperdiça.

6 min de leitura

O inventor não sofre por falta de ideias, mas porque não sabe até onde chega o conhecido: assim corre o risco de gastar sua engenhosidade redescobrindo o que já existe. Nós construímos um mapa da borda do conhecimento, fazemos com que cada invenção comece nessa borda, e conservamos até os caminhos que não levam à meta, porque muitas vezes abrem outra.

O diagnóstico

O verdadeiro problema do inventor

Acredita-se que inventar é sobretudo questão de ideias. Não é. O gargalo, quase sempre, é outro: saber até onde o saber chegou. Sem esse mapa, uma mente brilhante pode trabalhar durante meses e chegar a uma solução que alguém, em algum lugar, já encontrou e talvez patenteou. O esforço não é menos genial; apenas está gasto no lugar errado. É desperdício (de tempo, de talento, de capital) e não nasce da ignorância do inventor, mas da ausência de um mapa confiável da borda do conhecido.

A resposta

Um mapa da borda do saber

Nossa resposta é construir esse mapa. Não uma lista do que se sabe, mas uma representação viva de sua borda: a linha além da qual começa o desconhecido. Os filósofos da ciência a chamam de adjacente possível: o conjunto do que se torna alcançável com um único passo a partir do que já se conhece. A inovação vive ali, na borda: não no vazio, onde não há apoio, e não no interior já explorado, onde só se redescobre. Tornar visível essa borda significa dizer ao inventor, e ao nosso motor: comece aqui.

A forma

Uma fronteira fractal

Essa borda não é uma linha nítida sobre um mapa plano. O conhecimento tem muitas dimensões (cada disciplina, cada técnica, cada material acrescenta uma) e sua borda está recortada em todas as escalas. Dentro de uma região que parece resolvida aninham-se microperguntas abertas; entre as ilhas do conhecido restam golfos de ignorância. É uma superfície irregular, dobrada sobre si mesma, com infinitas enseadas. A consequência é animadora: fronteira por explorar há sempre, muito mais do que um mundo liso deixaria imaginar. E ela nos diz também como nos mover: não se cartografa o planeta inteiro do conhecimento; percorre-se por graus, escolhendo primeiro a região e aproximando-se cada vez mais do ponto exato onde o conhecido termina.

O método

Começar pela borda, não pelo vazio

Daí nossa escolha de método, que inverte a prática comum. Normalmente a verificação de originalidade chega no fim («isto que fiz é novo?»), quando o esforço já foi gasto. Nós a colocamos no começo: antes de gerar qualquer coisa, o sistema localiza a região do problema, reúne o que já se sabe e mostra exatamente onde esse saber se esgota. Assim cada invenção começa na fronteira por construção, e a engenhosidade (humana e artificial) se gasta apenas onde pode acrescentar algo. É isso que queremos dizer quando afirmamos que aqui o esforço não se desperdiça.

O achado

A serendipidade: não jogar fora os caminhos laterais

Buscando uma solução, pelo caminho abrem-se outras. Um caminho que não resolve o problema de partida pode resolver outro; ou produz conhecimento novo que hoje não serve para nada e amanhã será precioso. A história da invenção está cheia dessas venturas: descobertas feitas buscando outra coisa. Um sistema que podasse todo caminho fora do objetivo jogaria fora justamente o material do qual nasce grande parte do valor. Nós fazemos o contrário: conservamos. Cada resultado lateral entra em nosso patrimônio como um achado, com uma estimativa do que poderia servir, e quando chega um problema novo o sistema verifica primeiro se no depósito já existe uma solução esperando por ele. E quem produziu esse conhecimento é reconhecido quando seu valor se realiza, mesmo anos depois.

A memória

Lembramos também os fracassos

Há uma vantagem que nos pertence e que ninguém mais tem. Um mapa construído apenas sobre a ciência publicada sabe o que funciona, mas não o que se tentou sem êxito, porque o mundo quase não publica os resultados negativos. Nós lembramos esses becos sem saída. Assim, nosso mapa marca não apenas as ilhas do conhecido, mas também os baixios: «aqui já tentaram, não leva a lugar nenhum». É, bem pensado, a informação que mais esforço poupa. Quanto mais o sistema trabalha, mais ele se torna o único lugar que sabe de verdade onde está a fronteira, porque é o único que lembra também os fracassos.

Os limites

O que não prometemos

Por honestidade: não existe um mapa completo de todo o saber humano, e não pretendemos tê-lo. Muito conhecimento não é digital, parte é tácito, parte está fechado, às vezes é contraditório. A novidade, além disso, é sempre uma estimativa: não encontrar rastro de algo não é a prova certa de que ninguém o tenha feito. O que construímos é uma aproximação navegável da fronteira nos campos em que trabalhamos: densa onde importa, honesta sobre seus pontos cegos, e capaz de melhorar a cada projeto. Mesmo assim, parcial, ataca pela raiz o problema do desperdício e da repetição. E é, em si mesma, uma pesquisa aberta: uma das razões pelas quais o que fazemos é pesquisa de verdade.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Por que tantos inventores «redescobrem» coisas que já existem?

Porque lhes falta um mapa confiável de até onde o saber chegou; o esforço é genial, mas gasto no lugar errado.

O que é o adjacente possível?

O conjunto do que se torna alcançável com um passo a partir do conhecido: é ali, na borda, que vive a inovação.

O que vocês fazem com as pesquisas que não levam à solução buscada?

Nós as conservamos: podem resolver outro problema ou se tornar úteis no futuro, e quem as produziu é reconhecido quando elas geram valor.

Vocês têm um mapa de todo o conhecimento?

Não, e é impossível tê-lo. Construímos uma aproximação navegável nos nossos domínios, honesta sobre seus próprios limites.

«Se enxerguei mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes.»
Isaac Newton, carta a Robert Hooke (1675)

Comece onde termina o conhecido.

E uma vez ali, invista o esforço com o mesmo critério: a pirâmide TRL.

We choose to go to the Moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard.
John F. Kennedy, 1962

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