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VOLCANO
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O ensaio fundacional

Ter razão cedo demais.

Quatro vezes enxerguei com anos de antecedência o que outros construíram depois. Este ensaio não é a história dessas vezes: é a explicação de por que a Volcano está construída para nunca mais depender de convencer ninguém.

4 min de leitura

Francesco Esposito, fundador da Volcano.

O fenômeno tem nome.

Cassandra, filha do rei de Troia, recebeu de Apolo o dom da profecia e, com ele, a condenação: diria sempre a verdade e ninguém acreditaria nela. Anunciou o engano do cavalo e a queda da cidade; ninguém escutou. Daí o nome do fenômeno que a gestão de risco conhece bem: o aviso fundamentado em que sistematicamente não se acredita, porque quem o recebe paga hoje o custo de aceitá-lo (dinheiro, tempo, revisar suas certezas) enquanto o dano anunciado é futuro e incerto. Então não se refuta a mensagem: desacredita-se o mensageiro. Aconteceu com os engenheiros que desaconselharam o lançamento da Challenger e com os analistas que alertaram sobre as hipotecas subprime. E aconteceu comigo, quatro vezes, com data.

Quatro vezes.

No início dos anos dois mil propus a investidores construir mapas on-line. Não convenci ninguém. Em fevereiro de 2005 chegou o Google Maps.

Propus um software de videochamadas. Não convenci ninguém. Em 2003 chegou o Skype; o eBay o comprou dois anos depois por 2,6 bilhões de dólares, e a Microsoft, em 2011, por 8,5.

Propus a primeira imobiliária construída sobre imagens de satélite e esféricas. Não convenci ninguém. Hoje não existe portal imobiliário que não as use.

Propus um aplicativo para geolocalizar táxis. Não convenci ninguém. Em 2010 a Uber começou a operar.

Uma precisão, porque este ensaio não é uma reivindicação: não pretendo mérito sobre o que outros construíram. Executar é o difícil, e eles executaram. O que aponto é outra coisa, mais incômoda: as ideias estavam sobre a mesa, com anos de antecedência, e o mercado que deveria financiá-las disse não.

O elogio que não é elogio.

O mais instrutivo veio depois. Os mesmos que disseram não me lembram disso hoje, acreditando que me fazem um elogio: você tinha razão, viu antes de todo mundo. E eu sei algo que eles não sabem: se amanhã eu lhes levasse um projeto novo, diriam não outra vez. Não por malícia, nem por incompetência: porque o efeito Cassandra não é um defeito das pessoas, é a estrutura do mercado inicial. Dizer sim a uma ideia em fase inicial custa dinheiro hoje contra um benefício distante e incerto; dizer não é grátis hoje, e o erro só aparece dez anos depois, quando ninguém mais está contando. No curto prazo, o não é sempre a resposta racional. Por isso quem chega cedo perde sempre a discussão: não está discutindo com pessoas, está discutindo com uma estrutura.

Contra uma estrutura, outra estrutura.

O efeito Cassandra é o sintoma; a causa é a falta de sistema entre conhecimento, capital, indústria e relações: a tese completa vive em a teoria ampliada do capital. Diante desse muro cabem duas reações: melhorar a persuasão, ou construir o sistema que a torna desnecessária. A Volcano é a segunda. Por isso seu financiamento não depende de convencer um comitê de investimento de que o futuro chegará: o recurso a fundo perdido público e o investimento fiscal do Tax Lease financiam exatamente a janela F3-F7, a fase em que a persuasão fracassa por estrutura, porque o retorno do investidor fiscal é certo e não depende de o projeto vencer. E por isso o caminho começa na captura do problema: a razão precoce se recolhe quando aparece, não quando o mercado enfim a aceita. Ter razão cedo, por si só, não serve de nada. Ter razão cedo dentro de uma máquina que valida, protege e financia, é tudo.

Se você também chega cedo.

Este site inteiro está construído para as Cassandras: para quem há anos vê um problema que ninguém ataca, uma tecnologia que ninguém aplica, uma ideia que todos adiam. Não pedimos que você nos convença: pedimos que nos conte, e a máquina faz o resto: análise, validação, proteção, capital.

Referências: o mito, na tragédia grega (Ésquilo, Agamêmnon); o fenômeno nas organizações, no relatório da comissão Rogers sobre a Challenger (1986) e na literatura sobre a crise de 2008; as datas de lançamento citadas são públicas (Google Maps 2005; Skype 2003, aquisições 2005 e 2011; Uber 2010).

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We choose to go to the Moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard.
John F. Kennedy, 1962

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